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AVENTURA DE

ADOLESCER

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A luz chegou pelas frestas

17 de out.
3 min de leitura

Uma noite na Amazônia e o que acontece quando a gente se permite o que deseja.



Desde que decidimos ir para a Amazônia, queríamos viver uma experiência de imersão na selva. Poderíamos dormir na pousada, mas escolhemos passar uma noite fora do chalé, em meio à floresta. Queríamos sair do ar-condicionado, sentir a temperatura real da noite amazônica e escutar os sons da mata.


Nos preparamos, levamos o que precisaríamos para o jantar, o café da manhã e a noite de sono. Pegamos um barco e fomos mata adentro.


Jantamos à luz de velas, um peixe assado na brasa, em um lugar de beleza difícil de descrever. Havia um barracão coberto de palha, onde as redes seriam instaladas. Mas, no meu imaginário, dormir na selva significava ficar entre duas árvores, olhando para o céu, e não para o teto de uma palhoça.


Pedi ao nosso guia que montasse nossas redes do lado de fora.


Mal sabíamos que o céu estava quase todo encoberto pelas copas das árvores altíssimas. Entre elas, apenas pequenos espaços deixavam ver algumas estrelas. Ainda assim, a sensação era outra. Eu sentia a amplidão da floresta e a conexão de estar, de fato, imersa nela.


Estava cansada e dormi. Senti até frio — algo inédito em pleno verão amazônico — e recorri ao cobertor que havia levado. Como não tenho o costume de dormir em rede, acordava a cada movimento.

Em uma dessas vezes, abri os olhos e me surpreendi com a luz que chegava até mim.

Era a LUA, exatamente na minha direção!


Aqueles pequenos espaços entre as copas, que antes pareciam tão insignificantes, eram suficientes para deixar a luz passar e iluminar tudo ao redor. O som da mata também havia mudado. Os sapos pareciam ter silenciado, e pude apreciar o quase silêncio, entremeado pelo canto dos grilos.


Me senti integrada à Criação.


Fiquei pensando em tudo o que teria perdido se tivesse escolhido o mais cômodo: dormir na pousada ou mesmo dentro do barracão.

Talvez não tivesse visto a árvore gigantesca tombada pela força do vento em plena floresta. Não teria vivido o jantar à luz de velas naquele lugar, sentido a brisa refrescante, acompanhado a transformação dos sons da mata durante a noite ou me surpreendido com a luz da lua atravessando as copas das árvores.

Experiências que só foram possíveis porque escolhi algo diferente do habitual e me permiti viver o que ainda não conhecia.


E fiquei pensando:

quantas alegrias deixamos de viver porque escolhemos sempre o que já conhecemos, o que parece mais seguro, o que dá menos trabalho?


Quantas vezes nos acomodamos em situações que nem são exatamente o que desejamos, simplesmente porque mudar exige esforço, traz incertezas ou nos coloca diante do desconhecido?


Não se trata de escolher sempre o caminho mais difícil, nem de se arriscar sem considerar os próprios limites. Mas de perceber quando o desejo de segurança nos mantém em lugares que já não desejamos.


Às vezes, aquilo que ainda não experimentamos guarda possibilidades que sequer conseguimos imaginar.

E talvez a gente só descubra o que está perdendo quando se permite fazer diferente.

Isso vale para as viagens, mas também para as relações, os projetos, as escolhas e os caminhos que construímos ao longo da vida.


Quantas experiências desejadas estamos deixando para depois porque o conhecido parece mais confortável do que a possibilidade de algo novo?

 
 
 

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