Eu só queria curtir com meus amigos
- 10 de fev.
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Eu estava super empolgada. Foi o rolê do fim de semana. Tinha ficado sexta à noite, sábado e domingo, o dia todo, em casa. Finalmente, chegou a hora combinada do cinema. Era um filme que tinha ganhado um monte de prêmio, nem sabia do que falava direito.

Eu amo estar com os meus amigos, a gente se diverte tanto, ri tanto (e alto), fala tanto (e alto). Eu nem me preocupo o que os outros vão pensar de mim ou da gente, quando estamos juntos. Já falei que eu tava empolgada?
Aí, a gente no cinema, no meio do filme, uma situação engraçada rolou com o namorado de uma amiga. A gente tava que ria e conversava sobre isso. Aliás, qualquer coisa é motivo pra gente rir e conversar, né? Até que uma menina na minha frente virou pra trás e falou pra gente:
"OU, DÁ PRA FAZER SILÊNCIO?".
Meu Deus!
Eu fiquei em choque, morrendo de vergonha, super constrangida. Não sabia se eu me calava pra cumprir a ordem da garota, se eu ria ao olhar pros meus amigos sem graças como eu ou, se a gente continuava o que tava fazendo.
Passado o susto, a galera voltou a conversar, mas agora mais baixinho. Eu só fiquei rindo e tentando acompanhar a resenha dos meus amigos e o filme, sem saber o que a garota ia fazer quando o filme acabasse.
Passeio o filme meio tensa.
Ufa, ao final, a gente correu pra ir embora rapidinho e nem deu pra ver se ela queria brigar com a gente de novo.
Depois de chegar em casa, eu fiquei lembrando daquilo, remoendo a situação. Deu vontade de pedir desculpas pra aquela moça. É que ela não sabe que eu ainda to tentando manejar o que eu sinto, é difícil me controlar, controlar a minha ansiedade e até minha alegria.
E mais difícil ainda é não fazer o que todo mundo faz.
Eu sei que o cinema é lugar de silêncio, mas eu tava com os meus amigos, aí a regra parece que muda. Passa a ser como o grupo funciona, eu não quero ser excluída ou que eles me vejam como a chata. Ao mesmo tempo e, por outro lado, a gente junto testa o que vai acontecer, a gente, meio que desafia pra ver o que vai dar. Não é sempre assim, mas nesse dia foi.
Ah, foi a primeira vez que eu vi alguém desconhecido chamar a nossa atenção.
Não vou dizer que aprendi a lição - a minha mãe fala que a gente só pode dizer que aprendeu a lição quando, na próxima vez, a gente fizer diferente, melhor do que a vez anterior. Mas, pra além da gente ter feito o certo (curtido o nosso rolê) ou o errado (atrapalhar o filme da menina), eu bati palma pra ela: eu jamais teria coragem de fazer o que ela fez - nem com desconhecidos e nem com amigos!





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